Quando a forma adoece: notas para uma escrita que respira

Conteúdo do artigo principal

Natasha de Almeida Dutra Toledo
https://orcid.org/0009-0009-0843-5571
Emília Carvalho Leitão Biato
https://orcid.org/0000-0002-4358-4558

Resumo

Este ensaio tem como objetivo problematizar a escrita acadêmica no campo da saúde como prática formativa e como dispositivo que produz modos de pensar e de se relacionar com o conhecimento. Parte-se da compreensão de que pensar não consiste na aplicação de um método previamente dado, mas em um processo no qual o pensamento se produz no próprio gesto da escrita. O percurso teórico-argumentativo articula contribuições sobre experiência, sofrimento no trabalho, ensaio como forma, acontecimento, erro e crítica à neutralidade, a fim de analisar os efeitos de uma normatização excessiva da escrita acadêmica. Argumenta-se que a centralidade do controle, da prevenção do erro e da lógica produtivista tende a silenciar a experiência, inibir o risco e empobrecer o pensamento. Sustenta-se que a neutralidade absoluta opera como uma ficção normativa, produzindo o apagamento da implicação do sujeito e deslocando o rigor para uma estética de conformidade. Em contraposição, o ensaio é afirmado como uma escolha epistemológica e ética de rigor, entendido como responsabilidade pelo processo, pela mediação interpretativa e pelos efeitos do texto. Conclui-se que a escrita pode constituir um espaço de elaboração, cuidado e invenção, contribuindo para formas de produção de conhecimento que sustentem tempo, experiência e implicação no campo da saúde.

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Detalhes do artigo

Seção

Diálogos Brasil - Colombia

Biografia do Autor

Natasha de Almeida Dutra Toledo, Universidade de Brasília

Doutoranda em Educação

Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil

Emília Carvalho Leitão Biato, Universidade de Brasília

Professora Associada, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

Doutora em Educação

Como Citar

Dutra Toledo, N. de A. ., & Leitão Biato, E. C. . (2026). Quando a forma adoece: notas para uma escrita que respira. Discimus. Revista Digital De Educación, 5(2), 23-37. https://doi.org/10.61447/20260630/art02

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