O Trickster épico diante do Deserto do Real: uma entrevista com Gregory Rutledge sobre a épica afro-americana, a tradição épica ocidental nos Estados Unidos e a atual crise política.
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Resumo
Nesta entrevista, o Dr. Gregory E. Rutledge aborda diversas questões voltadas a construir pontes entre os estudos da épica e do trickster na África Ocidental, o imaginário homérico na cultura norte-americana, a literatura e os Estudos Culturais. A teoria do «Trickster épico» do Dr. Rutledge concentra-se na continuidade e na descontinuidade transatlânticas da tradição épica africana nos Estados Unidos, bem como em sua colisão com a epistemologia ocidental branca desde o período colonial até o presente. Sua metodologia — que inclui formas da África Ocidental, dos povos indígenas das Américas e europeias/estadunidenses, e que abrange a literatura, o cinema, a música e o esporte — apresenta implicações antropológicas, literárias e também para as políticas culturais. Inspirado em três epopeias da África Ocidental e na literatura afro-estadunidense, o «Trickster épico» mobiliza a «dupla consciência» de Du Bois, a concepção de performance da épica africana de Okpewho, o «Signifyin(g) Monkey» de Gates e o paradigma de «amor e roubo» por meio do qual Lott conceitualiza a minstrelsy como um espetáculo racializado do século XIX estruturado em torno de práticas de blackface. Sua abordagem teórica reformula a «dupla consciência» para analisar as dinâmicas de apropriação e de apagamento cultural e epistêmico encarnadas e perpetradas pela branquitude hegemônica sobre a cultura negra.
Ao longo da conversa, o Dr. Rutledge utiliza o conceito de “Epic Trickster” para formular uma crítica profunda à epistemologia ocidental. Ele o faz de maneira comparativa, concebendo o “caldeirão” literário dos Estados Unidos como uma performance cultural que inclui, entre outros elementos, formas arquetípicas e míticas como as epopeias homéricas, bem como um sentido épico oriundo da África Ocidental, incorporado pelas populações escravizadas e integrado — de modo forçado, porém decisivo — às interpretações da luta contra a escravidão como uma épica do povo afro-americano. Assim, a abordagem comparativa do “Epic Trickster” se inscreve na tradição épica africana, que, apesar de ter sido excluída dos currículos ocidentais tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina, molda as estruturas profundas da narrativa afro-americana, da ficção ao hip hop.
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